Pular para o conteúdo principal

Descoberta de cristal líquido quântico pode mudar futuro dos computadores

Cristal líquido quântico pode mudar futuro dos computadores
O cristal líquido quântico tem um comportamento bizarro -
tudo depende de como seus elétrons estão fluindo.
 [Imagem: J. W. Harter et al. - 10.1126/science.aad1188]
Cristais líquidos
Físicos descobriram o primeiro cristal líquido quântico tridimensional - um novo estado da matéria que pode ter aplicações nos computadores quânticos e nas tecnologias vistas como sucessoras da eletrônica.
"Nós detectamos a existência de um estado fundamentalmente novo da matéria, que pode ser considerado como um análogo quântico de um cristal líquido. Em princípio, podem existir numerosas classes desses cristais quânticos líquidos; portanto, nossa descoberta é provavelmente a ponta de um iceberg," disse o professor David Hsieh, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA.
Os cristais líquidos tradicionais, ou clássicos, estão em algum lugar entre um líquido e um sólido: eles são compostos por moléculas que fluem livremente, como se fossem um líquido, mas todas orientadas na mesma direção, como em um sólido.
Eles podem ser encontrados na natureza, como nas membranas celulares biológicas, ou podem ser fabricados artificialmente, como os utilizados em todas as telas de TV, computador, celulares e demais aparelhos eletrônicos.
Cristal líquido quântico
Já em um cristal líquido quântico os elétrons se comportam como as moléculas dos cristais líquidos clássicos. Ou seja, os elétrons se movem livremente, mas têm uma direção preferencial. O primeiro cristal líquido quântico foi descoberto por Jim Eisenstein em 1999, mas é bidimensional, o que significa que ele está confinado a um único plano dentro do material hospedeiro - uma substância metálica artificial baseada no arseneto de gálio.
Agora foi descoberto o primeiro cristal líquido quântico 3-D, um composto metálico de fórmula Cd2Re2O7 (cádmio, rênio e oxigênio).
Em comparação com um cristal líquido quântico 2-D, a versão 3-D é ainda mais bizarra - os elétrons não apenas fazem uma distinção entre os eixos x, y e z, mas também possuem propriedades magnéticas diferentes dependendo se eles estão fluindo para frente ou para trás em um determinado eixo.
"Induzir uma corrente elétrica através destes materiais os transforma de não-magnéticos em magnéticos, o que é altamente incomum," comentou Hsieh. "Mais do que isso, em cada direção que você pode fazer a corrente fluir, a força magnética e a orientação magnética mudam. Os físicos dizem que esses elétrons 'quebram a simetria' da rede."

Cristal líquido quântico pode mudar futuro dos computadores
O material deverá ter uso na spintrônica e na computação quântica. [Imagem: J. W. Harter et al. - 10.1126/science.aad1188]

Computação quântica e spintrônica
Os pesquisadores afirmam que os cristais líquidos quânticos 3-D poderão desempenhar um papel no emergente campo da spintrônica, que explora a direção em que os elétrons giram, para criar chips de computador mais eficientes.
A descoberta também poderá ajudar com alguns dos desafios para a construção de um computador quântico. Uma das dificuldades na construção desses computadores é que as propriedades quânticas são extremamente frágeis e podem ser facilmente destruídas através de interações com o ambiente circundante. Uma das técnicas para lidar com isso é a chamada computação quântica topológica, que usa um tipo especial de material supercondutor que apresenta propriedades diferentes no seu interior e na sua superfície.
"Da mesma forma que os cristais líquidos quânticos 2-D foram propostos como precursores dos supercondutores de alta temperatura, os cristais líquidos quânticos 3-D poderiam ser os precursores dos supercondutores topológicos que estávamos procurando", disse Hsieh.
"Em vez de confiar na sorte para encontrar supercondutores topológicos, podemos agora ter uma rota para criá-los racionalmente usando cristais líquidos quânticos 3-D. Esse é o próximo passo na nossa agenda," disse John Harter, principal autor da descoberta.


Postado por Hadson Bastos

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fármaco brasileiro aprovado nos Estados Unidos

  Em fotomicrografia, um macho de Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose CDC/G. Healy A agência que regula a produção de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, concedeu o status de orphan drug para o fármaco imunomodulador P-Mapa, desenvolvido pela rede de pesquisa Farmabrasilis, para uso no tratamento de esquistossomose.  A concessão desse status é uma forma de o governo norte-americano incentivar o desenvolvimento de medicamentos para doenças com mercado restrito, com uma prevalência de até 200 mil pessoas nos Estados Unidos, embora em outros países possa ser maior. Globalmente, a esquistossomose é uma das principais doenças negligenciadas, que atinge cerca de 200 milhões de pessoas no mundo e cerca de 7 milhões no Brasil.  Entre outros benefícios, o status de orphan drug confere facilidades para a realização de ensaios clínicos, após os quais, se bem-sucedidos, o fármaco poderá ser registrado e distribuído nos Estados Unidos, no Brasil e em outro...

Nova forma de carbono é dura como pedra e elástica como borracha

Visualização do carbono vítreo ultraforte, duro e elástico. A estrutura ilustrada está sobreposta em uma imagem do material feita por microscópio eletrônico. [Imagem: Timothy Strobel] Muitos carbonos O carbono é um elemento químico cujas possibilidades de rearranjo parecem ser infinitas. Por exemplo, os diamantes transparentes e superduros, o grafite opaco e desmanchadiço, o espetacular grafeno , todos são compostos exclusivamente por carbono. E, claro, temos nós, os seres humanos, formados em uma estrutura de carbono. E tem também o diamano , o aerografite e, agora, uma nova forma que parece ser um misto de tudo isso. Meng Hu e seus colegas das universidades Yanshan (China) e Carnegie Mellon (EUA) criaram uma forma de carbono que é, ao mesmo tempo, dura como pedra e elástica como uma borracha - e ainda conduz eletricidade. Essas infinitas possibilidades do carbono parecem ser possíveis porque a configuração dos seus elétrons permite inúmeras combinações de autoligação, dando or...

Receita de grafeno para micro-ondas: Cozinhe por 1 segundo

Óxido de grafeno Um dos grandes entraves ao uso prático do grafeno é a dificuldade de produzi-lo: não é fácil fazer uma camada de apenas um átomo de espessura e mantê-la pura e firme para que suas incríveis propriedades sejam exploradas em sua totalidade. Quando ganharam o  Nobel por seus trabalhos com o grafeno , Andre Geim e Konstantin Novoselov contaram que isolaram o material usando uma fita adesiva para retirar pequenas camadas de um bloco de grafite. O problema é que não dá para fazer desse jeito em escala industrial, ou mesmo retirar o grafeno intacto da fita adesiva para conectá-lo a eletrodos, por exemplo. Atualmente, o modo mais fácil de fazer grandes quantidades de grafeno é esfoliar o grafite - o mesmo material dos lápis - em folhas de grafeno individuais usando produtos químicos. A desvantagem é que ocorrem reações secundárias com o oxigênio, formando óxido de grafeno, que é eletricamente não-condutor e estruturalmente mais fraco. A remoção do oxigênio do ...