Pular para o conteúdo principal

Cerâmica líquida vai aonde nenhuma cerâmica jamais foi antes

O material líquido, transparente e com densidade similar à da água, ao ser aquecido, vira uma cerâmica que suporta altíssimas temperaturas. [Imagem: Kansas State University]
Líquido que vira cerâmica
Apenas cinco ingredientes - silício, boro, carbono, nitrogênio e hidrogênio - foram misturados para produzir um novo polímero líquido que, ao ser aquecido, vira uma cerâmica com valiosas propriedades térmicas, ópticas e eletrônicas.
Dadas as propriedades da cerâmica resultante, o polímero poderá ser usado na fabricação de têxteis cerâmicos, melhores lâminas para motores a jato e proteções antitérmicas customizadas, além de permitir a fabricação de peças cerâmicas em impressoras 3-D e poder entrar na composição de baterias.
Com uma densidade similar à da água, o polímero também pode ser produzido em larga escala, por processos industriais.
"Este polímero é um material útil que realmente funciona," disse Gurpreet Singh, da Universidade do Estados do Kansas, nos EUA. "Agora podemos pensar em usar cerâmicas onde você nunca poderia sequer imaginar".
Tecidos de cerâmica
Além de líquido e transparente, o novo material tem baixa densidade, o que significa que ele pode dar origem a cerâmicas leves, em vez das cerâmicas tradicionais, como as feitas à base de silício e boro, que são pesadas - quando endurece, o material fica escuro, quase preto.
E mesmo com uma densidade de massa de três a seis vezes inferior à de outras cerâmicas de ultra-alta-temperatura, como as de boreto de zircônio e carbureto de háfnio, a cerâmica resultante do aquecimento do novo polímero consegue suportar temperaturas extremas, de aproximadamente 1.700 graus Celsius.
Finalmente, o polímero pode ser usado para produzir fibras cerâmicas. Quando aquecido a temperaturas de 50 a 100 graus Celsius, o material torna-se um gel similar ao xarope ou mel. Nesse estado de gel, o polímero pode ser puxado para formar cordas ou fibras, dando origem a têxteis cerâmicos ou malhas cerâmicas.
Esta é a estrutura da cerâmica SiBNC - silício, boro, carbono, nitrogênio e hidrogênio. [Imagem: Kansas State University]
As cerâmicas são valiosas porque resistem a temperaturas extremas e são usadas em uma variedade de produtos, de velas de ignição e fornos de alta temperatura a motores a jato e escudos de proteção na exploração espacial.
A equipe patenteou seu material e agora está procurando parceiros na indústria para comercializá-lo.
Postado por David Araripe

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Transferring skills beyond the lab

Launching a nonresearch career doesn’t mean leaving behind everything you learned as a scientist. The skills you developed as you dove into your projects and communicated your results are valuable in many jobs. If you’re not convinced, read on for some specific examples of how Ph.D.-holders put their skills to use outside the lab. Learning new fields Kenneth Gibbs Jr. , Program director in the Division of Training, Workforce Development, and Diversity at the National Institute of General Medical Sciences Learning new fields is a skill I developed in graduate school that I continue to use now as I manage research grants in scientific areas that are outside my previous expertise. When I was a graduate student, I was very interested in stem cells and the signals that regulate them. At the time I didn't have a background in the topic, so I had to read lots of literature—where I encountered unfamiliar terms—to orient myself to the field, and then I would identify knowledgea...

Plásticos: Para produzir ou dar sumiço, chame as bactérias

Bactéria que produz plástico Pesquisadores da USP encontraram uma bactéria capaz de produzir um  biopolímero  - um polímero, ou plástico, produzido por um processo biotecnológico. Rotas biotecnológicas podem fabricar bioplásticos - e depois sumir com eles, degradando-os completamente.  A  Methylobacterium rhodesianum , que transforma o metano em um tipo de polímero ainda não caracterizado, foi identificada nas águas turvas e poluídas do Sistema Estuarino de Santos, no litoral de São Paulo. A equipe também encontrou a  Methylobacterium extorquens , que já se sabia ser produtora de PHB, ou polihidroxibutirato, um polímero da família dos polihidroxialcanoatos (PHA) com características físicas e mecânicas semelhantes às de resinas sintéticas como o polipropileno. "Ainda não caracterizamos o polímero produzido pela bactéria, mas nossas análises indicam que é bem diferente dos relatados na literatura científica," disse Elen Aquino Perpétuo, coordenadora d...

Mais uma doutora formada no BioMol-Lab

Dia 27 de Outubro de 2017 formou-se mais uma Doutora no BioMol-Lab. A aluna Antônia Simoni de Oliveira, orientada pela professora Kyria Santiago do Nascimento e co-orientada pelo professor Benildo Sousa Cavada, defendeu sua tese intitulada: "Produção e caracterização físico-química e biológica da cadeia alfa da lectina recombinante de Canavalia brasiliensis" A defesa aconteceu no auditório do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, 907, da UFC. Declarada a aprovação, o BioMol-Lab agora conta com 50 mestres e 52 doutores formados no laboratório. Parabéns à Simoni, aos orientadores Kyria Santiago do Nascimento, Benildo Sousa Cavada e à todos envolvidos!