Pular para o conteúdo principal

Chit: A primeira célula de memória química

A célula de memória química é formada por um arranjo simples de três gotículas, cujo contato mútuo produz reações químicas oscilatórias. [Imagem: IPC PAS/Grzegorz Krzyzewski]
Chit: um bit químico

Em um mundo mergulhado em dados e sedento por velocidade de processamento, uma nova unidade de armazenamento acaba de se juntar à família dos bits, trits e qubits.

O novo membro da família é o chit (chemical bit), uma unidade química de armazenamento de dados que acaba de ser demonstrada por Konrad Gizynski e Jerzy Goreckia, da Academia Polonesa de Ciências de Varsóvia.

Reação oscilatória

A unidade de armazenamento química é formada por um arranjo simples de três gotículas, cujo contato mútuo produz reações químicas oscilatórias. O dado é guardado conforme as reações se propagam de forma cíclica, sustentada e de um modo totalmente previsível.

A reação fundamental é bem conhecida dos químicos, a reação de Belousov-Zhabotinsky, uma reação oscilatória na qual, quando um ciclo termina, os reagentes necessários para começar o próximo ciclo são reconstituídos na própria solução - é o mesmo princípio usado recentemente na demonstração de um processador químico experimental.

Tipicamente essas reações perduram por centenas de ciclos e são acompanhadas por uma mudança regular na cor da solução, causada pela ferroína, o catalisador da reação. O segundo catalisador utilizado pelos pesquisadores poloneses foi o rutênio, que fez com que a reação Belousov-Zhabotinsky se tornasse fotossensível: quando a solução é iluminada por luz azul, ela é desligada, deixando de oscilar.

"Nós podemos então associar uma sequência de excitações com o valor lógico 0, outra com 1, e alternar entre elas, ou seja, para forçar uma mudança particular no estado da memória nós usamos luz," explicou o professor Gorecki, explicando o mecanismo que torna possível gravar e apagar o dado no chit.
Esquema do experimento para demonstração do bit químico. [Imagem: Gizynski/Goreckia - 10.1039/c6cp07492h]
Melhor que o bit

"Na verdade, nosso bit químico tem um potencial ligeiramente maior do que o bit clássico. Os modos de rotação que usamos para registrar os estados 0 e 1 têm os períodos de oscilação mais curtos de 18,7 e 19,5 segundos, respectivamente. Portanto, se o sistema oscilar mais lentamente, poderíamos falar de um terceiro estado lógico adicional," disse Gizynski.

Isto, contudo, não equipara o chit ao trit, porque esse terceiro estado seria mais apropriadamente usado para correção de erros nos dois outros, e não para armazenar um novo dado.

É um primeiro passo rumo a uma nova plataforma para um computador químico - os mais puristas dirão que, para que um computador seja inteiramente químico, será necessário desenvolver métodos químicos adicionais, já que ler o conteúdo do chit ainda exige um método físico, pela detecção da cor emitida pela solução.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=chit-bit-quimico&id=010110170518#.WSJZb-srLIV
Postado por David Araripe

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fármaco brasileiro aprovado nos Estados Unidos

  Em fotomicrografia, um macho de Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose CDC/G. Healy A agência que regula a produção de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, concedeu o status de orphan drug para o fármaco imunomodulador P-Mapa, desenvolvido pela rede de pesquisa Farmabrasilis, para uso no tratamento de esquistossomose.  A concessão desse status é uma forma de o governo norte-americano incentivar o desenvolvimento de medicamentos para doenças com mercado restrito, com uma prevalência de até 200 mil pessoas nos Estados Unidos, embora em outros países possa ser maior. Globalmente, a esquistossomose é uma das principais doenças negligenciadas, que atinge cerca de 200 milhões de pessoas no mundo e cerca de 7 milhões no Brasil.  Entre outros benefícios, o status de orphan drug confere facilidades para a realização de ensaios clínicos, após os quais, se bem-sucedidos, o fármaco poderá ser registrado e distribuído nos Estados Unidos, no Brasil e em outro...

Nova forma de carbono é dura como pedra e elástica como borracha

Visualização do carbono vítreo ultraforte, duro e elástico. A estrutura ilustrada está sobreposta em uma imagem do material feita por microscópio eletrônico. [Imagem: Timothy Strobel] Muitos carbonos O carbono é um elemento químico cujas possibilidades de rearranjo parecem ser infinitas. Por exemplo, os diamantes transparentes e superduros, o grafite opaco e desmanchadiço, o espetacular grafeno , todos são compostos exclusivamente por carbono. E, claro, temos nós, os seres humanos, formados em uma estrutura de carbono. E tem também o diamano , o aerografite e, agora, uma nova forma que parece ser um misto de tudo isso. Meng Hu e seus colegas das universidades Yanshan (China) e Carnegie Mellon (EUA) criaram uma forma de carbono que é, ao mesmo tempo, dura como pedra e elástica como uma borracha - e ainda conduz eletricidade. Essas infinitas possibilidades do carbono parecem ser possíveis porque a configuração dos seus elétrons permite inúmeras combinações de autoligação, dando or...

Receita de grafeno para micro-ondas: Cozinhe por 1 segundo

Óxido de grafeno Um dos grandes entraves ao uso prático do grafeno é a dificuldade de produzi-lo: não é fácil fazer uma camada de apenas um átomo de espessura e mantê-la pura e firme para que suas incríveis propriedades sejam exploradas em sua totalidade. Quando ganharam o  Nobel por seus trabalhos com o grafeno , Andre Geim e Konstantin Novoselov contaram que isolaram o material usando uma fita adesiva para retirar pequenas camadas de um bloco de grafite. O problema é que não dá para fazer desse jeito em escala industrial, ou mesmo retirar o grafeno intacto da fita adesiva para conectá-lo a eletrodos, por exemplo. Atualmente, o modo mais fácil de fazer grandes quantidades de grafeno é esfoliar o grafite - o mesmo material dos lápis - em folhas de grafeno individuais usando produtos químicos. A desvantagem é que ocorrem reações secundárias com o oxigênio, formando óxido de grafeno, que é eletricamente não-condutor e estruturalmente mais fraco. A remoção do oxigênio do ...