Pular para o conteúdo principal

Terapia gênica aprovada nos EUA é nova arma contra o câncer

Manipulação de células humanas
pertencentes a pacientes com câncer
na Novartis Farmacêutica em Morris
 Plains, N.J. | Crédito: Brent 
Stirton/Novartis Pharmaceuticals Corp.
A ciência e a medicina têm concentrado esforços há décadas para combater o câncer, doença que provoca proliferação celular descontrolada e é responsável pela morte de quase nove milhões de pessoas por ano no mundo. O tratamento clássico baseia-se na tríade cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Nos anos 1990, surgiram as primeiras terapias-alvo, que são mais direcionadas ao tumor e não comprometem as células saudáveis. Em 2011, veio outra novidade: a imunoterapia, que faz com que o próprio corpo do paciente se defenda contra a doença. No dia 30 de agosto, houve um novo marco nessa área: a Food and Drug Administration (FDA), agência que regula alimentos e remédios nos Estados Unidos, aprovou uma terapia gênica – considerada revolucionária – para tratar um tipo de câncer no sangue que atinge sobretudo crianças e adolescentes.

Esse tratamento contra leucemia linfoblástica (ou linfoide) aguda infantil (LLA) envolve a coleta de sangue do paciente, para separar, em laboratório, um grupo de glóbulos brancos chamados linfócitos T, que integram o “exército” de defesa do organismo contra bactérias, vírus e outros microrganismos invasores. Um vírus HIV modificado, então, reprograma geneticamente essas células do sistema imunológico, para que elas reconheçam e ataquem o câncer com bastante precisão. Esses linfócitos “superpoderosos”, batizados de CAR-T, são multiplicados e depois reinseridos no paciente, para que destruam o tumor, que com tratamento convencional leva à morte em 15% dos casos.

A terapia gênica que recebeu aval da FDA foi desenvolvida por um laboratório suíço em parceria com a Universidade da Pensilvânia e mostrou-se efetiva em 52 das 63 pessoas de até 23 anos que participaram dos ensaios clínicos nos EUA. Todas elas já haviam passado pelos tratamentos tradicionais anteriormente. O símbolo desse tratamento, que já entrou para a história da medicina, é a adolescente Emily Whitehead, de 12 anos. Ela foi diagnosticada em 2010, teve duas recidivas (volta do câncer) e não pôde fazer um transplante de medula, pois estava muito debilitada. O pai dela, então, ficou sabendo do tratamento experimental oferecido pelo Hospital Infantil da Filadélfia. Hoje, já faz cinco anos que Emma, como a garota é conhecida, não apresenta mais nenhum sinal da doença.

Cerca de 30 centros em todo o mundo estão capacitados para desenvolver o tratamento, que deve levar pelo menos três anos para chegar ao Brasil. Um de seus principais desafios é o preço, estimado em R$ 1,5 milhão. Há, ainda, a questão dos efeitos colaterais, como febre, queda de pressão, dificuldade para respirar e inchaço de órgãos. Atualmente, 40 estudos estão sendo realizados para testar a nova terapia contra outros tipos de câncer, como de ovário, próstata, intestino, rim e pâncreas.

Fontes: FDA e The New York Times, agosto de 2017. Retirado de http://cib.org.br/terapia-genica-aprovada-nos-eua-e-nova-arma-contra-o-cancer/

Postado por David Araripe

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fármaco brasileiro aprovado nos Estados Unidos

  Em fotomicrografia, um macho de Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose CDC/G. Healy A agência que regula a produção de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, concedeu o status de orphan drug para o fármaco imunomodulador P-Mapa, desenvolvido pela rede de pesquisa Farmabrasilis, para uso no tratamento de esquistossomose.  A concessão desse status é uma forma de o governo norte-americano incentivar o desenvolvimento de medicamentos para doenças com mercado restrito, com uma prevalência de até 200 mil pessoas nos Estados Unidos, embora em outros países possa ser maior. Globalmente, a esquistossomose é uma das principais doenças negligenciadas, que atinge cerca de 200 milhões de pessoas no mundo e cerca de 7 milhões no Brasil.  Entre outros benefícios, o status de orphan drug confere facilidades para a realização de ensaios clínicos, após os quais, se bem-sucedidos, o fármaco poderá ser registrado e distribuído nos Estados Unidos, no Brasil e em outro...

Nova forma de carbono é dura como pedra e elástica como borracha

Visualização do carbono vítreo ultraforte, duro e elástico. A estrutura ilustrada está sobreposta em uma imagem do material feita por microscópio eletrônico. [Imagem: Timothy Strobel] Muitos carbonos O carbono é um elemento químico cujas possibilidades de rearranjo parecem ser infinitas. Por exemplo, os diamantes transparentes e superduros, o grafite opaco e desmanchadiço, o espetacular grafeno , todos são compostos exclusivamente por carbono. E, claro, temos nós, os seres humanos, formados em uma estrutura de carbono. E tem também o diamano , o aerografite e, agora, uma nova forma que parece ser um misto de tudo isso. Meng Hu e seus colegas das universidades Yanshan (China) e Carnegie Mellon (EUA) criaram uma forma de carbono que é, ao mesmo tempo, dura como pedra e elástica como uma borracha - e ainda conduz eletricidade. Essas infinitas possibilidades do carbono parecem ser possíveis porque a configuração dos seus elétrons permite inúmeras combinações de autoligação, dando or...

Receita de grafeno para micro-ondas: Cozinhe por 1 segundo

Óxido de grafeno Um dos grandes entraves ao uso prático do grafeno é a dificuldade de produzi-lo: não é fácil fazer uma camada de apenas um átomo de espessura e mantê-la pura e firme para que suas incríveis propriedades sejam exploradas em sua totalidade. Quando ganharam o  Nobel por seus trabalhos com o grafeno , Andre Geim e Konstantin Novoselov contaram que isolaram o material usando uma fita adesiva para retirar pequenas camadas de um bloco de grafite. O problema é que não dá para fazer desse jeito em escala industrial, ou mesmo retirar o grafeno intacto da fita adesiva para conectá-lo a eletrodos, por exemplo. Atualmente, o modo mais fácil de fazer grandes quantidades de grafeno é esfoliar o grafite - o mesmo material dos lápis - em folhas de grafeno individuais usando produtos químicos. A desvantagem é que ocorrem reações secundárias com o oxigênio, formando óxido de grafeno, que é eletricamente não-condutor e estruturalmente mais fraco. A remoção do oxigênio do ...