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Biotecnologia produz novos medicamentos e milionários





Medicamentos criados em laboratórios de biotecnologia avançaram no tratamento de doenças como hepatite C, fibrose cística e alguns cânceres.  

Paul A. Friedman, como muitos outros viajantes obrigados a passar pelas filas da segurança dos aeroportos, algumas vezes sonha em ter um avião privado.
Friedman é médico e um dos felizardos que poderiam ter um. Nos últimos anos, o ex-professor associado da Faculdade de Medicina de Harvard vendeu US$ 146,1 milhões em ações da farmacêutica Incyte Corp. Ele foi o diretor-presidente da firma americana desde os tempos das vacas magras até o bem-sucedido lançamento de um remédio para um tipo raro de câncer.
Apesar do dinheiro que ganhou, ele continua dirigindo um Audi 2009. “Moramos na mesma casa, minha mulher e eu”, diz o médico de 73 anos, que se aposentou do cargo de diretor-presidente em 2014, mas permanece como membro do conselho de administração.

Novos medicamentos que prolongam ou melhoram a qualidade de vida de milhões de pessoas — e o potencial de outros ainda em desenvolvimento — elevaram o valor das ações das empresas de biotecnologia que os produzem e criaram uma nova classe de milionários, composta por muitos dos cientistas, médicos e investidores que estão por trás dessas firmas.
Líderes do setor de biotecnologia se uniram a executivos de fundos de hedge e de empresas de tecnologia no círculo de vencedores dos Estados Unidos, beneficiando-se do sucesso de novos remédios caros e do entusiasmo dos investidores por negócios de alto risco. Alguns compraram casas luxuosas. Outros, como Friedman, dizem que pouco mudou desde o tempo em que viviam num laboratório.

O químico orgânico Norbert W. Bischofberger, há muito tempo diretor de pesquisa e desenvolvimento da farmacêutica Gilead Sciences Inc. — e um dos inventores do famoso remédio para gripe Tamiflu, comercializado no Brasil pela Roche —, vendeu US$ 320,3 milhões em ações da empresa até 2015. Ainda assim, sua esposa teve que chamar um guincho para rebocar seu carro velho e substituí-lo por um Toyota novo. “A conversa”, lembra ele, “foi algo assim, Esposa: ‘Nós deveríamos comprar um carro novo para você.’ Eu: Não tem nada errado com o meu.
Medicamentos criados em laboratórios de biotecnologia avançaram no tratamento de doenças como hepatite C, fibrose cística e alguns cânceres. Muitos surgiram de novos conhecimentos sobre as causas genéticas e os processos biológicos das doenças, auxiliados por anos de pesquisas feitas pelo governo americano e pela iniciativa privada.
Uma análise de documentos apresentados aos reguladores realizada pelo The Wall Street Journal revelou que executivos e conselheiros das 100 maiores empresas de biotecnologia dos EUA venderam ações no valor de US$ 8 bilhões durante a alta das bolsas no ano passado.
Essas cifras embolsadas marcam um salto dramático numa indústria que, até cinco anos atrás, estava em dificuldades, com investimentos de capital de risco e ofertas públicas iniciais de ações próximas a mínimas recorde. Conselheiros e executivos de empresas de tecnologia venderam, em média, US$ 1,2 bilhão em ações por ano entre 2004 e 2011, ajustados pela inflação, avançando para uma média anual de US$ 2,3 bilhões de 2012 a 2014.
A média anual do valor de mercado das empresas de biotecnologia que fazem parte do índice de ações S&P Composite 1500 mais do que triplicou: de US$ 180 bilhões em 2010 para US$ 594,2 bilhões neste ano, segundo dados da S&P Dow Jones Indices.
O setor de biotecnologia foi ajudado pelos juros baixos nos EUA, que atraíram investidores para negócios mais arriscados e de retornos mais altos.

O ano de 2015 registrou um recorde no valor das fusões e aquisições e os acionistas de empresas de biotecnologia adquiridas estão entre os que receberam as maiores quantias. Robert W. Duggan, ex-diretor-presidente da Pharmacyclics Inc., ficou no topo da lista: ganhou US$ 3,46 bilhões em dinheiro e ações quando a firma foi comprada pela AbbVie Inc. por US$ 21 bilhões.

Em 2013, a Pharmacyclics recebeu aprovação da FDA, agência que regula alimentos e remédios nos EUA, para produzir seu primeiro medicamento, o Imbruvica, que desde então se tornou um tratamento popular para o tipo mais comum de leucemia em adultos. Estudos mostraram que a droga retarda o progresso da doença com menos efeitos colaterais que outras.

A um custo anual de cerca de US$ 100 mil por paciente, as vendas globais do Imbruvica atingiram US$ 548 milhões em 2014, o primeiro ano completo do medicamento no mercado, e subiram para mais de US$ 1 bilhão no ano passado.
“Mostra que, se você acertar e fizer um investimento modesto, pode se sair muito bem”, diz Duggan, que colocou cerca de US$ 50 milhões no negócio.
Na Receptos Inc., cujo remédio mais promissor ainda não passou dos estágios finais de pesquisa, 14 executivos e conselheiros receberam um total de US$ 540,5 milhões por suas ações quando a empresa foi comprada pela Celgene Corp. , no ano passado, por US$ 7,2 bilhões.

Sheila Gujrathi, ex-diretora médica da Receptos, recebeu US$ 75 milhões por suas ações quando o negócio foi fechado. Gujrathi, que tem 45 anos, foi uma das poucas mulheres entre os que mais ganharam dinheiro no setor de biotecnologia em 2015.
Você não entra na medicina “achando que pode ficar multimilionário”, diz ela. “Ficar numa situação em que tenho uma riqueza substancial é, sim, surpreendente e transformador.”
A biotecnologia é diferente do software e de outras áreas da tecnologia porque geralmente são necessários centenas de milhões de dólares e dez anos ou mais para saber se um novo medicamento funciona. O custo de desenvolver, digamos, um aplicativo de smartphone é tão baixo que qualquer pessoa com conhecimento de programação pode fazer isso e vender um app.

Após anos de investimentos, mesmo um remédio promissor pode fracassar durante as fases avançadas de testes, e a maioria das empresas de biotecnologia prevê anos de prejuízos.
A Regeneron Pharmaceuticals Inc., sediada no Estado de Nova York, foi fundada em 1988 e acumulou prejuízos de US$ 1,27 bilhão antes de receber aprovação da FDA, em novembro de 2011, para fabricar o medicamento Eylea, para a perda de visão associada ao envelhecimento. O tratamento custa hoje entre US$ 11 mil e US$ 16 mil por ano. As vendas do Eylea nos EUA alcançaram US$ 2,68 bilhões no ano passado.

 Fonte: http://br.wsj.com/articles/SB12492349878592523674804582157380638523576

Postado por: Hadson Bastos

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