Pular para o conteúdo principal

Cientistas querem construir Arca de Noé de bactérias benéficas

Cientistas querem construir Arca de Noé de bactérias benéficas
Agora começa um esforço internacional para juntar as bactérias para que elas entrem na arca.
[Imagem: Gulbenkian/Divulgação]

Bactérias para o futuro

Cientistas portugueses estão propondo a criação de uma "Arca de Noé microbiana", similar ao Depósito Global de Sementes de Svalbard, na Noruega, um repositório mundial de plantas que possam ser semeadas no futuro.

A professora Maria Glória Bello, do Instituto Gulbenkian de Ciência, já congregou colegas de instituições de vários países para começar a construir um projeto-piloto, que deverá ser erguido na Noruega ou na Suíça.

Segundo ela, são muitos os estudos por todo o mundo que têm avaliado o impacto do ambiente, da alimentação e do consumo de antibióticos na perda massiva de diversidade do microbioma humano e os efeitos negativos que isso representa para a saúde humana. O microbioma humano são os trilhões de organismos microscópicos que vivem no nosso corpo e que contribuem para a saúde de inúmeras maneiras.

A ideia do recém-lançado Microbiota Vault é a de preservar esses microrganismos benéficos, para que eles possam ser preservados, replicados e, se necessário, reintroduzidos no corpo humano para proteger a saúde das gerações futuras.

Uma empresa independente na Suíça foi contratada em 2019 para realizar um estudo de viabilidade técnica e econômica da iniciativa. Com os resultados positivos dessa análise, o esforço agora é agregar mais parceiros. Para o sucesso deste projeto será necessário um esforço internacional, incluindo financiamento significativo, para reunir e armazenar os micróbios num repositório mundial.

Além da coleta das amostras, a iniciativa Microbiota Vault também envolve uma rede de coleções regionais de países com povos tradicionais, incluindo o Brasil, que até agora demonstraram possuir microbiotas com uma elevada diversidade, devido em parte às dietas naturais ricas em vegetais e fibras.


Postado por Cláudio H. Dahne

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fármaco brasileiro aprovado nos Estados Unidos

  Em fotomicrografia, um macho de Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose CDC/G. Healy A agência que regula a produção de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, concedeu o status de orphan drug para o fármaco imunomodulador P-Mapa, desenvolvido pela rede de pesquisa Farmabrasilis, para uso no tratamento de esquistossomose.  A concessão desse status é uma forma de o governo norte-americano incentivar o desenvolvimento de medicamentos para doenças com mercado restrito, com uma prevalência de até 200 mil pessoas nos Estados Unidos, embora em outros países possa ser maior. Globalmente, a esquistossomose é uma das principais doenças negligenciadas, que atinge cerca de 200 milhões de pessoas no mundo e cerca de 7 milhões no Brasil.  Entre outros benefícios, o status de orphan drug confere facilidades para a realização de ensaios clínicos, após os quais, se bem-sucedidos, o fármaco poderá ser registrado e distribuído nos Estados Unidos, no Brasil e em outro...

Nova forma de carbono é dura como pedra e elástica como borracha

Visualização do carbono vítreo ultraforte, duro e elástico. A estrutura ilustrada está sobreposta em uma imagem do material feita por microscópio eletrônico. [Imagem: Timothy Strobel] Muitos carbonos O carbono é um elemento químico cujas possibilidades de rearranjo parecem ser infinitas. Por exemplo, os diamantes transparentes e superduros, o grafite opaco e desmanchadiço, o espetacular grafeno , todos são compostos exclusivamente por carbono. E, claro, temos nós, os seres humanos, formados em uma estrutura de carbono. E tem também o diamano , o aerografite e, agora, uma nova forma que parece ser um misto de tudo isso. Meng Hu e seus colegas das universidades Yanshan (China) e Carnegie Mellon (EUA) criaram uma forma de carbono que é, ao mesmo tempo, dura como pedra e elástica como uma borracha - e ainda conduz eletricidade. Essas infinitas possibilidades do carbono parecem ser possíveis porque a configuração dos seus elétrons permite inúmeras combinações de autoligação, dando or...

Receita de grafeno para micro-ondas: Cozinhe por 1 segundo

Óxido de grafeno Um dos grandes entraves ao uso prático do grafeno é a dificuldade de produzi-lo: não é fácil fazer uma camada de apenas um átomo de espessura e mantê-la pura e firme para que suas incríveis propriedades sejam exploradas em sua totalidade. Quando ganharam o  Nobel por seus trabalhos com o grafeno , Andre Geim e Konstantin Novoselov contaram que isolaram o material usando uma fita adesiva para retirar pequenas camadas de um bloco de grafite. O problema é que não dá para fazer desse jeito em escala industrial, ou mesmo retirar o grafeno intacto da fita adesiva para conectá-lo a eletrodos, por exemplo. Atualmente, o modo mais fácil de fazer grandes quantidades de grafeno é esfoliar o grafite - o mesmo material dos lápis - em folhas de grafeno individuais usando produtos químicos. A desvantagem é que ocorrem reações secundárias com o oxigênio, formando óxido de grafeno, que é eletricamente não-condutor e estruturalmente mais fraco. A remoção do oxigênio do ...