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Ela transformou seu TCC em um negócio de R$ 24 milhões

Marisa Peraro transformou um trabalho de conclusão de curso em projeto de vida: a Pró-Corpo, rede de clínicas de estética avançada

Marisa Peraro, dona da Pró-Corpo
Marisa Peraro, dona da Pró-Corpo (Pró-Corpo/Divulgação)
A maior parte das pessoas que fazem uma graduação quer terminar o quanto antes o trabalho de conclusão de curso (TCC) e se livrar dos estudos. Isso porque a cobrança é muito grande e a dedicação é enorme. Mas vale a pena dar um pouquinho mais de suor e aproveitar o momento para também encontrar o seu projeto de vida?
Para Marisa Peraro, vale. Empreendedora desde pequena, ela transformou seu TCC em um negócio e hoje é dona da Pró-Corpo, uma rede de clínicas de estética avançada presente em três estados que faturou R$ 24 milhões em 2016.
O esforço começou desde cedo. “Aos 13 anos já trabalhava em uma locadora de vídeos. Logo depois, fui trabalhar em uma locadora de livros. Aos 17, a dona da locadora de livros resolveu vender o negócio. Eu já tinha umas economias e então pedi para os meus pais me emanciparem para poder comprá-lo”, conta.
Ela ficou à frente da empresa até os 22 anos, mas acabou fechando por problemas de gestão. Foi assim que surgiu o interesse em cursar faculdade de administração no ano seguinte. “Me encontrei. Quando fui fazer meu TCC, pensei em um projeto na área de estética, não porque sou muito vaidosa, mas porque as pessoas tinham receio de estudar este campo.”
O trabalho era na verdade um plano de negócios —um mapa da mina sobre como gerir bem uma clínica de estética. “Gostei tanto que resolvi colocar em prática”, diz Peraro. Foi então que ela e o marido resolveram vender a moto do casal por cerca de 17 mil reais e usaram o dinheiro para abrir a primeira clínica da Pró-Corpo.
“Parcelamos os móveis e todo o resto. Quando a clínica foi inaugurada, em 2006, eu trabalhava nela de 14 a 15 horas por dia. Era bem intenso, havia muita energia empregada. Alguns médicos começaram a indicar nossos serviços e fomos aos poucos ampliando os produtos oferecidos, como depilação e remoção de tatuagem, além da medicina estética”, afirma.
Pró-Corpo
Cliente da clínica de estética (Pró-Corpo/Divulgação)

A dedicação deu resultado e, hoje, já são oito unidades da Pró-Corpo: três em São Paulo, uma em Campinas, uma em Santos, uma em Londrina (PR) e duas no Rio —sendo que apenas uma delas é franquia, as demais são lojas próprias.
“Já tive nove franquias da Pró-Corpo, mas não deram certo. Eu vi que isso não era para mim. Todas as franquias não conseguiam ter a mesma gestão das minhas lojas próprias e o faturamento ficava sempre bem menor. Acabei me desfazendo de quase todas. Fiquei só com uma”, explica.
Um dos diferenciais da empresa, segundo Peraro, é o atendimento. “Sentou na cadeira de uma das minhas clínicas, tem que comprar. Ou eu vou dar preço, ver o quanto a cliente pode pagar, ou eu vou dar parcelamento, e facilitar o pagamento dela.” Quer que esse seja seu diferencial também? Confira as dicas da Mandaê para um bom atendimento ao cliente Patrocinado 
O ticket médio da rede é de 1.350 reais, considerando todas as áreas (estética, depilação e tatuagem). Isso garantiu um faturamento de 2 milhões de reais mensais no ano passado. “É um número médio. Tem algumas unidades que faturam mais e outras, menos. Atualmente, quatro unidades da Pró-Corpo faturam entre 280 a 300 mil reais por mês”, comenta a empresária.

Metas

As expectativas de Peraro para o futuro são otimistas. “Já recebi quatro fundos interessados em fazer um aporte no negócio. Eu preciso de de mais ou menos 400 mil reais para abrir uma loja nova, já com o fluxo de caixa. Os fundos vêm com aportes de 20-25 milhões de reais. Eu teria condições de abrir umas 50 unidades em cinco anos.”
Além de expandir a Pró-Corpo, a administradora pretende ganhar dinheiro também vendendo seu modelo de gestão e protocolo de procedimentos online. “É uma forma de ajudar outras clínicas a prosperar. Posso até perder clientes para eles, mas compenso a perda vendendo uma boa solução de gestão. É o que eu faço de melhor”, completa.


Postado por Hadson Bastos

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