Pular para o conteúdo principal

Célula a combustível flex usa 11 combustíveis diferentes

Embora não tenham sido incluídas neste teste, existem também células a combustível a biodiesel, além das biocélulas que geram e armazenam eletricidade.[Imagem: NPS]
Célula protônica cerâmica
As células a combustível, que geram eletricidade diretamente, sem combustão, são tecnologias promissoras, mas têm andado de lado nos últimos anos devido a uma série de entraves técnicos.
Existem vários tipos dessas células, consumindo os mais diversos tipos de combustíveis. As mais promissoras são as alimentadas a hidrogênio, que só liberam água como resíduo, mas várias delas são autenticamente "flex", podendo trabalhar com vários combustíveis.
Uma equipe da Escola de Minas do Colorado, nos EUA, está chamando agora a atenção para uma tecnologia menos conhecida - uma célula a combustível protônica cerâmica - que levou a capacidade flex ao extremo.
Chuancheng Duan e seus colegas demonstraram que essa classe relativamente nova de células de combustível apresenta tanto a durabilidade de longo prazo quanto a flexibilidade de combustível necessárias para se tornar uma alternativa comercial viável.
Flex pra valer: 11 combustíveis
A equipe testou sua célula cerâmica usando 11 combustíveis diferentes - hidrogênio, metano, gás natural doméstico (com e sem sulfeto de hidrogênio), propano, n-butano, i-butano, iso-octano, metanol, etanol e amônia.
Todos apresentaram rendimento excelente e a célula suportou milhares de horas de operação.
"As células de combustível de cerâmica protônicas (PCFCs) são muito flexíveis em temos de combustível. Podemos alimentá-las com todos os tipos de combustíveis do mundo real e produzir eletricidade," destacou o professor Ryan O'Hayre.
"Isso é muito diferente de outras células de combustível que funcionam apenas com hidrogênio. Algumas células de combustível de óxido sólido de alta temperatura (SOFCs) também funcionam com outros combustíveis, mas são muito exigentes - se você as alimenta com outros combustíveis além do hidrogênio, elas ficam suscetíveis a contaminação e degradação, e seu desempenho cai rapidamente com o tempo. Nossas células de combustível não enfrentaram esses problemas com testes de longo prazo," acrescentou.
Protótipos comerciais
Células a combustível flex são interessantes porque hoje não se consegue comprar hidrogênio muito facilmente, e o gás encontrado ainda é fabricado a partir de combustíveis fósseis. Já etanol ou propano, por exemplo, são combustíveis prontamente disponíveis. E poder escolher entre 11 opções é um grande facilitador.
Os testes duraram 10 vezes mais do que qualquer teste anterior, e envolveram 10 células a combustível rodando simultaneamente, permitindo testar todos os combustíveis durante milhares de horas.
"O teste mais longo durou 8.000 horas, o que é quase um ano inteiro. A taxa de degradação da maioria das células a combustível foi menor do que 3% por 1.000 horas, o que atende às exigências de produtos comerciais," disse Duan.
Uma empresa privada, a Fuel Cell Energy, já se interessou pela tecnologia e irá trabalhar com a equipe para construir protótipos em escala comercial para novos testes de eficiência e durabilidade.

BIBLIOGRAFIA: Highly durable, coking and sulfur tolerant, fuel-flexible protonic ceramic fuel cells
Chuancheng Duan, Robert J. Kee, Huayang Zhu, Canan Karakaya, Yachao Chen, Sandrine Ricote, Angelique Jarry, Ethan J. Crumlin, David Hook, Robert Braun, Neal P. Sullivan, Ryan O’Hayre
Nature
Vol.: 557, pages217-222
DOI: 10.1038/s41586-018-0082-6


Postado por Cláudio H. Dahne (Ciências Biológicas - UFC)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Transferring skills beyond the lab

Launching a nonresearch career doesn’t mean leaving behind everything you learned as a scientist. The skills you developed as you dove into your projects and communicated your results are valuable in many jobs. If you’re not convinced, read on for some specific examples of how Ph.D.-holders put their skills to use outside the lab. Learning new fields Kenneth Gibbs Jr. , Program director in the Division of Training, Workforce Development, and Diversity at the National Institute of General Medical Sciences Learning new fields is a skill I developed in graduate school that I continue to use now as I manage research grants in scientific areas that are outside my previous expertise. When I was a graduate student, I was very interested in stem cells and the signals that regulate them. At the time I didn't have a background in the topic, so I had to read lots of literature—where I encountered unfamiliar terms—to orient myself to the field, and then I would identify knowledgea...

Plásticos: Para produzir ou dar sumiço, chame as bactérias

Bactéria que produz plástico Pesquisadores da USP encontraram uma bactéria capaz de produzir um  biopolímero  - um polímero, ou plástico, produzido por um processo biotecnológico. Rotas biotecnológicas podem fabricar bioplásticos - e depois sumir com eles, degradando-os completamente.  A  Methylobacterium rhodesianum , que transforma o metano em um tipo de polímero ainda não caracterizado, foi identificada nas águas turvas e poluídas do Sistema Estuarino de Santos, no litoral de São Paulo. A equipe também encontrou a  Methylobacterium extorquens , que já se sabia ser produtora de PHB, ou polihidroxibutirato, um polímero da família dos polihidroxialcanoatos (PHA) com características físicas e mecânicas semelhantes às de resinas sintéticas como o polipropileno. "Ainda não caracterizamos o polímero produzido pela bactéria, mas nossas análises indicam que é bem diferente dos relatados na literatura científica," disse Elen Aquino Perpétuo, coordenadora d...

Mais uma doutora formada no BioMol-Lab

Dia 27 de Outubro de 2017 formou-se mais uma Doutora no BioMol-Lab. A aluna Antônia Simoni de Oliveira, orientada pela professora Kyria Santiago do Nascimento e co-orientada pelo professor Benildo Sousa Cavada, defendeu sua tese intitulada: "Produção e caracterização físico-química e biológica da cadeia alfa da lectina recombinante de Canavalia brasiliensis" A defesa aconteceu no auditório do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, 907, da UFC. Declarada a aprovação, o BioMol-Lab agora conta com 50 mestres e 52 doutores formados no laboratório. Parabéns à Simoni, aos orientadores Kyria Santiago do Nascimento, Benildo Sousa Cavada e à todos envolvidos!