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Elevados níveis de ferro no cérebro podem acelerar a doença de Alzheimer

O Alzheimer é uma doença que ficou popularmente conhecida como “esclerose” ou “caduquice”, sendo que a maior parte da população acometida por essa doença são idosos. Ela ocorre devido às perdas neurais, atingindo principalmente os neurônios que são responsáveis pela memória e funções exclusivas que envolvem o planejamento e execuções das funções complexas. Outras áreas de cérebro podem ser atingidas pela doença, agravando ainda mais a situação do paciente.
O Alzheimer é uma doença que não possui cura, mas já existem tratamentos que amenizam os sintomas. Os principais sintomas dessa doença são: demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada inicialmente, consegue-se retardar o seu avanço, tendo mais controle sobre os sintomas, garantindo assim, melhor qualidade de vida ao paciente e à família.
Altos níveis de ferro no cérebro poderiam aumentar o risco de desenvolver a doença de Alzheimer e acelerar o declínio cognitivo que vem com ele, sugere nova pesquisa.
Os resultados de um estudo que acompanhou a degeneração cerebral de pessoas com a doença de Alzheimer ao longo de um período de sete anos, sugere que pode ser possível parar a doença com drogas que reduzem os níveis de ferro no cérebro. “Nós pensamos que o ferro está contribuindo para a progressão da doença de Alzheimer”, disse Scott Ayton, neurocientista da Universidade de Melbourne, na Austrália.
“Esta é uma forte evidência para fundamentar um ensaio clínico na redução do teor de ferro no cérebro para ver se isso iria conferir um benefício cognitivo”. O Alzheimer é uma doença devastadora que os investigadores suspeitam “começar quando dois fragmentos de proteínas anormais, conhecidas como placas e emaranhados, se acumulam no cérebro e começam a matar as células do cérebro”, explica Fiona Macdonald para o ScienceAlert.
A doença começa com a destruição do hipocampo – região do cérebro onde as memórias são formadas e armazenadas – e, eventualmente, danos a região onde a linguagem é processada, o que torna difícil para os doentes de Alzheimer ter uma comunicação avançada. Como aquisição gradual da doença continua, as pessoas perdem a capacidade de regular suas emoções e comportamento, e de dar sentido ao mundo ao seu redor.
Estudos anteriores demonstraram que as pessoas com a doença de Alzheimer também têm níveis elevados de ferro no cérebro, o que também pode ser um fator de risco para a doença. “Houve um debate por um longo período de tempo para ver se essa descoberta tinha mesmo relação ou se era apenas uma coincidência”, disse Ayton para a ABC Science.
O impacto ao longo prazo dos níveis de ferro elevados na doença ainda não tinha sido investigado, de acordo com os pesquisadores. Assim, a equipe de Ayton decidiu testar isso, examinando a relação entre os níveis de ferro no cérebro e declínio cognitivo em três grupos de pessoas ao longo de sete anos. Os participantes incluíram 91 pessoas com cognição normal, 144 pessoas com comprometimento cognitivo leve, e 67 pessoas com a doença de Alzheimer diagnosticada.
No início do estudo, os investigadores determinaram níveis de ferro no cérebro dos pacientes através da medição da quantidade de ferritina no líquido cefalorraquidiano em torno do cérebro. A ferritina é uma proteína que armazena e libera ferro. Os pesquisadores fizeram testes regulares e exames de ressonância magnética para rastrear o declínio cognitivo e alterações no cérebro durante o período de estudo.
Eles descobriram que as pessoas com níveis mais elevados de ferritina, em todos os grupos, tiveram quedas mais rápidas nas habilidades cognitivas e acelerado encolhimento do hipocampo. Os níveis de ferritina foram também ligados a uma maior probabilidade de as pessoas com transtorno cognitivo leve desenvolverem a doença de Alzheimer.
Eles também concluíram que as pessoas com a variante do gene ApoE-e4, que é conhecido por ser o fator de risco mais fortes para a doença genética, tinham os maiores níveis de ferro nos seus cérebros. Isto sugere que APOE-e4 pode estar aumentando o risco de doença de Alzheimer, aumentando os níveis de ferro no cérebro, Ayton disse à ABC Science.
Em um estudo realizado há 24 anos, uma droga chamada deferiprone reduziu pela metade a taxa de declínio cognitivo de Alzheimer, disse Ayton. “Talvez seja a hora de reorientar o campo e olhar para o ferro como um alvo.”
Fonte (Inglês): Science Alert.
Postado por David Araripe

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