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Fóssil revela nova espécie de planta na bacia do Araripe

quarta-feira, 3 outubro 2018

A planta foi caracterizada por pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais da UFC

Uma nova espécie de planta a partir de fóssil encontrado na bacia do Araripe, no sertão cearense, foi descoberta por pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal do Ceará (UFC). Estima-se que a espécie, nomeada de Pseudofrenelopsis salesii, tenha vivido no período Cretáceo, aproximadamente 110 milhões de anos atrás.


O fóssil encontrado estava especialmente preservado, o que facilitou a caracterização. Foto: Divulgação.


O exemplar da planta encontrada está especialmente preservado, algo raro para fósseis da chamada Formação Romualdo, da qual ela procede – a formação geológica é uma das principais unidades rochosas na bacia do Araripe e é famosa por conter várias concreções fossilíferas. As boas condições do fóssil permitiram que a Pseudofrenelopsis salesii fosse a primeira espécie de planta procedente dessa formação a ter sua anatomia estudada em detalhes.

Espécie adaptada

A planta é uma conífera (de folhas pontiagudas e frutos em forma de cone, com sementes expostas), da família Cheirolepidiaceae, cujos representantes foram todos extintos no fim do período Mesozoico, há 65,5 milhões de anos. Além da caracterização da própria espécie, o fóssil também pode ajudar a entender como era o ecossistema do Araripe milhões de anos atrás.


Fóssil em detalhe da espécie encontrada pela pesquisa. Foto: Divulgação.


“Várias características da Pseudofrenelopsis salesii podem fazer com que a espécie seja considerada xeromórfica, adaptada a ambientes com estresse hídrico. Esse estresse pode ter sido causado tanto pelo clima, de árido a semiárido, quanto pelas condições salinas existentes na região na época”, explica a aluna de doutorado Maria Edenilce Peixoto Batista, autora da pesquisa, publicada no periódico Review of Paleobotany and Palynology.

Segundo a pesquisadora, o excelente estado de preservação do fóssil também sugere que ele sofreu pouco transporte até ser soterrado no ambiente onde foi depositado e encontrado. Em razão do período do qual data e por ser componente da flora da região do Araripe, a Pseudofrenelopsis salesii viveu junto com várias espécies de dinossauros, pterossauros, tartarugas e lagartos primitivos, entre outras que habitavam a região.


Homenagem

A pesquisa foi feita pelo Laboratório de Sistemática e Ecologia Vegetal (LASEV) da UFC, coordenado pela Profª Maria Iracema Bezerra Loiola, em parceria com outros profissionais da UFC, do Instituto Senckenberg (Dresden, Alemanha), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real, Portugal) e do Departamento de Produção Mineral (DNPM) do Crato.

O nome da espécie foi dado em homenagem ao Professor Alexandre Sales (in memoriam), autor de importantes pesquisas na bacia do Araripe, sobretudo nas camadas de rocha da Formação Romualdo. O professor foi o primeiro orientador da autora do trabalho em pesquisas científicas sobre fósseis da região.






Detalhe do fóssil da planta encontrada na bacia do Araripe. Foto: Divulgação.

Edenilce conta que uma das características típicas do gênero, percebida também na espécie descoberta, é a presença de ramos divididos por regiões denominadas nós (como pontos de encontro), dos quais emergia uma única folha. “Porém, diferentemente do que ocorre em outras espécies do mesmo gênero, a divisão observada nos ramos da nova espécie é uniforme [cada segmento do mesmo tamanho]”, descreve.

“Além de revelar para a ciência uma espécie até então desconhecida, contribuindo para uma melhor compreensão da biodiversidade do passado da Terra e de sua relação com as condições paleoambientais vigentes, o estudo evidencia o potencial existente na Formação Romualdo para a realização de mais pesquisas relevantes para a paleobotânica nacional e internacional”, argumenta a pesquisadora.

FONTE: https://nossaciencia.com.br/noticias/fossil-revela-nova-especie-de-planta-na-bacia-do-araripe/

Postado por Cláudio H. Dahne (Ciências Biológicas - UFC)

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