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Aparelho da Google identifica mais de 50 doenças oculares melhor que médicos

IA é capaz de tomar a decisão correta de encaminhamento com 94% de precisão

A DeepMind, a empresa da Alphabet de inteligência artificial, com sede em Londres, planeja desenvolver um produto médico que ajudará os médicos a detectarem mais de 50 condições que representam uma ameaça à visão a partir de um exame oftalmológico comum.

A companhia treinou um software de inteligência artificial para detectar sinais de doenças com mais precisão que os médicos humanos, segundo estudo publicado nesta semana na revista científica Nature Medicine.

A DeepMind e os parceiros na pesquisa, o Moorfields Eye Hospital, de Londres, e o Instituto de Oftalmologia da University College London, informaram que planejam testes clínicos prospectivos da tecnologia em 2019.

Se esses testes forem bem-sucedidos, a empresa buscará criar um produto aprovado pelos órgãos reguladores que o Moorfields possa lançar em todo o Reino Unido. O produto seria gratuito durante um período inicial de cinco anos. 

O software representaria a primeira vez que um algoritmo de inteligência artificial da DeepMind que utiliza aprendizado de máquina acaba em um produto médico.

A Alphabet tem várias iniciativas destinadas ao uso de inteligência artificial para melhorar a saúde.

Neste ano, a Verily, uma empresa de ciências biológicas de propriedade da Alphabet, se associou a especialistas em IA do Google para desenvolver um algoritmo capaz de identificar uma série de problemas cardiovasculares a partir de um tipo diferente de imagem da retina.

A própria DeepMind tem uma divisão inteira dedicada à saúde e mantém projetos de pesquisa com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido e com o Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, entre outros.

A pesquisa da DeepMind com o Moorfields analisou um tipo de exame ocular chamado tomografia de coerência óptica (OCT, na sigla em inglês), que pode ser usado para diagnosticar degeneração macular relacionada à idade (DMRI), hoje a principal causa de cegueira no mundo desenvolvido, além de outros distúrbios na retina ligados a condições como o diabetes.

Mas, segundo Keane, o uso de escâneres OCT superou o treinamento de especialistas capazes de interpretar corretamente suas imagens. Como resultado, praticamente qualquer anormalidade detectada pela OCT leva ao encaminhamento a um oftalmologista para uma análise mais aprofundada. 

De 2007 a 2017, os encaminhamentos oftalmológicos aumentaram 37% no Reino Unido. Isso gerou tempos de espera que dificultam o tratamento daqueles que realmente precisam de intervenção rápida para evitar a cegueira.

Para avaliar o sistema, a DeepMind testou o software com 1.000 imagens que não haviam sido utilizadas para treinar a inteligência artificial e comparou o desempenho ao de quatro oftalmologistas e quatro optometristas experientes que também haviam sido treinados especificamente para interpretar imagens de OCT.

Os pesquisadores concluíram que sua IA era capaz de tomar a decisão correta de encaminhamento para mais de 50 doenças oculares com 94% de precisão -- resultado melhor que o da maioria dos humanos.

Um ponto importante é que o software não apresentou nenhum falso negativo -- casos em que ignorou indicadores de doença -- e registrou apenas dois falsos positivos, em que o sistema recomendou avaliação urgente para casos em que os médicos haviam recomendado que o paciente simplesmente monitorasse os sintomas.

O resultado foi melhor do que o de todos os especialistas humanos.


Postado por Cláudio H. Dahne (Ciências Biológicas - UFC)

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