Pular para o conteúdo principal

Catalisadores baratos produzem hidrogênio solar da água do mar

Catalisadores baratos produzem hidrogênio solar da água do mar
O cenário mais promissor para a Economia do Hidrogênio envolve produzir
o combustível limpo a partir da água do mar usando energia solar.

Hidrogênio solar

A outrora tão apregoada Economia do Hidrogênio entrou em uma recessão precoce quando os cientistas se deram conta de que os desafios a serem vencidos eram mais sérios do que eles estimaram a princípio.
Nos últimos meses, porém, uma série de progressos experimentais vem reacendendo a esperança de um combustível limpo, que poderia substituir o petróleo em todo o setor de transportes e de geração de eletricidade.
Nesta semana, duas novidades envolvem a geração de "hidrogênio solar" - a produção de hidrogênio usando a energia solar - dispensando os catalisadores à base de metais nobres, como a platina, o paládio ou o ródio.
Hidrogênio da água do mar
Uma equipe da Universidade da Flórida, nos EUA, sintetizou um nanomaterial híbrido de baixo custo que produz hidrogênio quando abastecido com água do mar e colocado sob a luz do Sol.
Minúsculas nanocavidades foram escavadas na superfície de uma película de dióxido de titânio, que é o fotocatalisador mais conhecido. Mas tudo melhorou muito quando as nanocavidades foram revestidas com dissulfeto de molibdênio, ou molibdenita, um material bidimensional com uma única camada atômica de espessura.
O material apresentou três vantagens principais: (1) resiste ao ambiente corrosivo da água marinha; (2) absorve uma largura de banda maior da luz solar e, por decorrência (3) opera com o dobro da eficiência dos fotocatalisadores conhecidos.
"Nós abrimos uma nova janela para a quebra molecular da água real, não apenas de água purificada em laboratório," disse o professor Yang Yang.
Fotocatalisador de carbono
Mingshan Zhu, da Universidade de Osaka, no Japão, trabalhou com um material ainda mais barato para obter o hidrogênio a partir da água, igualmente usando energia solar.
Ele combinou nitreto de carbono grafítico e fósforo negro para compor um novo fotocatalisador totalmente isento de metais.
"Nós ficamos muito felizes ao ver uma boa quantidade de hidrogênio produzida a partir da água usando o nosso novo fotocatalisador composto com nitreto de carbono grafítico e fósforo negro. Mas o que não esperávamos era que, mesmo quando usamos luz de baixa energia, no infravermelho próximo, o fotocatalisador continuasse a produzir hidrogênio," disse o professor Tetsuro Majima.
Como o grafite, o nitreto grafítico de carbono forma folhas grandes, mas suas placas também possuem furos que podem interagir com as moléculas de hidrogênio. Até agora, fotocatalisadores à base de nitreto de carbono precisavam da ajuda de metais preciosos para produzir hidrogênio a partir da água. Os pesquisadores japoneses descobriram que esses metais do grupo da platina podem ser substituídos por um tipo de fósforo, que é um elemento amplamente abundante e barato.
Eles demonstraram que seu fotocatalisador é eficaz para produzir hidrogênio a partir da água usando luz de vários comprimentos de onda - mais surpreendentemente, mesmo a luz infravermelha próxima, de baixa energia, mantém a produção de hidrogênio.


Postado por Hadson Bastos

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mais uma doutora formada no BioMol-Lab

Dia 27 de Outubro de 2017 formou-se mais uma Doutora no BioMol-Lab. A aluna Antônia Simoni de Oliveira, orientada pela professora Kyria Santiago do Nascimento e co-orientada pelo professor Benildo Sousa Cavada, defendeu sua tese intitulada: "Produção e caracterização físico-química e biológica da cadeia alfa da lectina recombinante de Canavalia brasiliensis" A defesa aconteceu no auditório do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, 907, da UFC. Declarada a aprovação, o BioMol-Lab agora conta com 50 mestres e 52 doutores formados no laboratório. Parabéns à Simoni, aos orientadores Kyria Santiago do Nascimento, Benildo Sousa Cavada e à todos envolvidos!

Receita de grafeno para micro-ondas: Cozinhe por 1 segundo

Óxido de grafeno Um dos grandes entraves ao uso prático do grafeno é a dificuldade de produzi-lo: não é fácil fazer uma camada de apenas um átomo de espessura e mantê-la pura e firme para que suas incríveis propriedades sejam exploradas em sua totalidade. Quando ganharam o  Nobel por seus trabalhos com o grafeno , Andre Geim e Konstantin Novoselov contaram que isolaram o material usando uma fita adesiva para retirar pequenas camadas de um bloco de grafite. O problema é que não dá para fazer desse jeito em escala industrial, ou mesmo retirar o grafeno intacto da fita adesiva para conectá-lo a eletrodos, por exemplo. Atualmente, o modo mais fácil de fazer grandes quantidades de grafeno é esfoliar o grafite - o mesmo material dos lápis - em folhas de grafeno individuais usando produtos químicos. A desvantagem é que ocorrem reações secundárias com o oxigênio, formando óxido de grafeno, que é eletricamente não-condutor e estruturalmente mais fraco. A remoção do oxigênio do ...

Fármaco brasileiro aprovado nos Estados Unidos

  Em fotomicrografia, um macho de Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose CDC/G. Healy A agência que regula a produção de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, concedeu o status de orphan drug para o fármaco imunomodulador P-Mapa, desenvolvido pela rede de pesquisa Farmabrasilis, para uso no tratamento de esquistossomose.  A concessão desse status é uma forma de o governo norte-americano incentivar o desenvolvimento de medicamentos para doenças com mercado restrito, com uma prevalência de até 200 mil pessoas nos Estados Unidos, embora em outros países possa ser maior. Globalmente, a esquistossomose é uma das principais doenças negligenciadas, que atinge cerca de 200 milhões de pessoas no mundo e cerca de 7 milhões no Brasil.  Entre outros benefícios, o status de orphan drug confere facilidades para a realização de ensaios clínicos, após os quais, se bem-sucedidos, o fármaco poderá ser registrado e distribuído nos Estados Unidos, no Brasil e em outro...