Pular para o conteúdo principal

Pesquisa da UFPR desenvolve novo método de obtenção de material nanométrico

O material tem diversas aplicações e demonstrou boa performance. Resultados foram publicados no periódico Scientific Reports, da Nature

Pesquisadores da pós-graduação em Química da UFPR desenvolveram um novo método de obtenção de um material nanométrico com aplicações em baterias, sensores e dispositivos eletrocrômicos. A equipe também mostrou que o material tem performance muito boa em diferentes funções.
Os resultados da pesquisa foram publicados no prestigioso periódico Scientific Reports, da Nature. O trabalho é parte da tese de doutorado de Eduardo Cividini, estudante do Programa de Pós-Graduação em Química da UFPR, com orientação do professor Aldo Zarbin.
O trabalho traz três novidades: novo método de produção de um material pela combinação de dois outros; novo método de deposição desse material na forma de filme; demonstração da viabilidade de aplicar esse filme em diferentes dispositivos.
O novo material é formado pela combinação de grafeno e hidróxido de níquel. O grafeno é um material bidimensional que tem a espessura de um único átomo de carbono, e que apresenta propriedades muito interessantes. Já o hidróxido de níquel é muito conhecido e aplicado em baterias, entre outros.
“Quando juntamos os dois, suprimos algumas necessidades e diminuímos algumas falhas, principalmente do hidróxido de níquel, que tende a se decompor muito facilmente quando aplicado em uma bateria, diminuindo a performance e o tempo de vida da bateria”, explica Zarbin.
Esses problemas costumam ser resolvidos quando se combina o hidróxido de níquel com o grafeno. A equipe buscou, então, produzir nanopartículas do material – o que é muito difícil de ser conseguido com a preparação convencional. “A presença do grafeno ajuda a manter em tamanho nanométrico, e material nanométrico tem rendimento muito melhor do que o convencional”, diz Zarbin.
Materiais sintetizados a partir de grafeno e hidróxido de níquel já existiam, o que a equipe propôs foi uma nova rota para essa produção. Para aplicar esse material nas aplicações desejadas, é preciso produzir um filme fino – ou seja, ele precisa ser depositado na forma de filme em uma superfície sólida, como se fosse uma tinta.
“O que desenvolvemos foi uma nova maneira de preparar filmes desses materiais, e essa nova maneira é baseada em um procedimento que foi totalmente desenvolvido no Grupo de Química de Materiais, da UFPR”, diz Zarbin. “Nós mostramos que esse material é excelente para bateria, excelente para sensor e um bom material eletrocrômico”, destaca.
O material pode ser aplicado, portanto, em baterias recarregáveis, para celulares ou outros aparelhos. A equipe mostrou que a performance do compósito pode ser muito boa, devido a combinação de propriedades do grafeno e do hidróxido de níquel nanométrico.
O nanocompósito pode ser aplicado também em dispositivos eletrocrômicos, que são materiais que mudam de cor quando se aplica uma tensão. Por exemplo, janelas inteligentes que mudam de cor de acordo com a intensidade da luz do sol.
Além disso, o material pode ser usado em sensores eletroquímicos. “Nós mostramos que ele é sensível para detectar a presença de glicerol, mesmo em pequenas quantidades”, afirma Zarbin.
A pesquisa teve também a colaboração de dois docentes do Departamento de Química da UFPR: Luiz Marcolino Jr. e Márcio Bergamini, e da docente do Departamento de Química e Biologia da UTFPR, Marcela Oliveira.
Acesse o artigo completo: http://www.nature.com/articles/srep33806
Assessoria de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná
Postado por David Araripe

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Transferring skills beyond the lab

Launching a nonresearch career doesn’t mean leaving behind everything you learned as a scientist. The skills you developed as you dove into your projects and communicated your results are valuable in many jobs. If you’re not convinced, read on for some specific examples of how Ph.D.-holders put their skills to use outside the lab. Learning new fields Kenneth Gibbs Jr. , Program director in the Division of Training, Workforce Development, and Diversity at the National Institute of General Medical Sciences Learning new fields is a skill I developed in graduate school that I continue to use now as I manage research grants in scientific areas that are outside my previous expertise. When I was a graduate student, I was very interested in stem cells and the signals that regulate them. At the time I didn't have a background in the topic, so I had to read lots of literature—where I encountered unfamiliar terms—to orient myself to the field, and then I would identify knowledgea...

Plásticos: Para produzir ou dar sumiço, chame as bactérias

Bactéria que produz plástico Pesquisadores da USP encontraram uma bactéria capaz de produzir um  biopolímero  - um polímero, ou plástico, produzido por um processo biotecnológico. Rotas biotecnológicas podem fabricar bioplásticos - e depois sumir com eles, degradando-os completamente.  A  Methylobacterium rhodesianum , que transforma o metano em um tipo de polímero ainda não caracterizado, foi identificada nas águas turvas e poluídas do Sistema Estuarino de Santos, no litoral de São Paulo. A equipe também encontrou a  Methylobacterium extorquens , que já se sabia ser produtora de PHB, ou polihidroxibutirato, um polímero da família dos polihidroxialcanoatos (PHA) com características físicas e mecânicas semelhantes às de resinas sintéticas como o polipropileno. "Ainda não caracterizamos o polímero produzido pela bactéria, mas nossas análises indicam que é bem diferente dos relatados na literatura científica," disse Elen Aquino Perpétuo, coordenadora d...

Mais uma doutora formada no BioMol-Lab

Dia 27 de Outubro de 2017 formou-se mais uma Doutora no BioMol-Lab. A aluna Antônia Simoni de Oliveira, orientada pela professora Kyria Santiago do Nascimento e co-orientada pelo professor Benildo Sousa Cavada, defendeu sua tese intitulada: "Produção e caracterização físico-química e biológica da cadeia alfa da lectina recombinante de Canavalia brasiliensis" A defesa aconteceu no auditório do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, 907, da UFC. Declarada a aprovação, o BioMol-Lab agora conta com 50 mestres e 52 doutores formados no laboratório. Parabéns à Simoni, aos orientadores Kyria Santiago do Nascimento, Benildo Sousa Cavada e à todos envolvidos!