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Respirar devagar tranquiliza – e ciência acaba de revelar por quê

Cientistas encontraram um grupo de neurônios que relaciona a velocidade da respiração aos estados da mente, como agitação ou tranquilidade

MeditaçãoUma respiração lenta é realmente capaz de acalmar a mente, indica um estudo publicado na última sexta-feira na revista Science. Cientistas americanos descobriram que um pequeno grupo de neurônios é capaz de responder à respiração, enviar sinais ao cérebro e, assim, regular estados de excitação e tranquilidade. Os resultados fornecem evidências para explicar por que exercícios de controle da respiração podem ajudar pessoas com distúrbios relacionados ao stress.
“Esperamos que, entendendo essa função central, seremos levados a novas terapias para stress, depressão e outras emoções negativas”, afirmou em comunicado Jack Feldman, professor de neurobiologia da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo. Segundo ele, a descoberta também ajuda a entender como técnicas de meditação e ioga conseguem acalmar alguns indivíduos.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas avaliaram a ação de 175 neurônios no cérebro de camundongos, ligados a uma área responsável por regular estados mentais de calma e agitação. Estudos anteriores demonstraram que o cérebro humano apresenta uma estrutura semelhante, o que indica que talvez o mesmo mecanismo seja responsável por controlar esses estados mentais nos seres humanos.
O grupo de células em questão pertence a um complexo de neurônios batizado de pré-Bötzinger (preBötC, na abreviação em inglês), localizado no tronco encefálico. Ele foi identificado pela primeira vez em 1991, em camundongos – porém, uma estrutura parecida foi encontrada em humanos posteriormente. Estudos anteriores já haviam indicado que esse complexo abriga os neurônios responsáveis pela regulação do ritmo respiratório em mamíferos. A nova pesquisa sugere que, além disso, ele pode ser capaz de se comunicar com o cérebro e provocar tranquilidade ou excitação em resposta a uma respiração mais rápida ou mais devagar.
Ano passado, Mark Krasnow, professor de bioquímica da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e sua equipe encontraram evidências de que um pequeno grupo de neurônios desse complexo era o único responsável por gerar os suspiros (inspiração profunda e prolongada seguida por uma expiração audível). Sem eles, os camundongos nunca suspiravam.

Efeito tranquilizante

Neste último estudo, do qual Krasnow também fez parte, os pesquisadores utilizaram uma estratégia parecida para avaliar os neurônios responsáveis por regular os estados de calma e agitação no cérebro. Eles identificaram dois marcadores genéticos que eram ativos no complexo pré-Bötzinger e pareciam estar ligados à respiração. Em seguida, modificaram o cérebro de camundongos para que eles ficassem sem os neurônios que expressavam esses marcadores. Curiosamente, os animais conseguiam respirar normalmente, embora fizessem isso mais devagar do que os camundongos sem qualquer alteração  – um resultado que não era esperado pelos cientistas.
Contudo, depois de alguns dias, a equipe notou algo diferente. Os camundongos que não possuíam os neurônios com os marcadores eram muito mais calmos do que os roedores do grupo controle. Eles ainda apresentavam alterações na respiração, mas em um ritmo bem reduzido. Segundo os pesquisadores, mesmo quando submetidos a ambientes que seriam estressantes e provocariam mudanças na inspiração e expiração, os animais executavam ações com tranquilidade, como limpar o próprio pelo.
Depois de uma investigação mais profunda, a equipe encontrou evidências de que esse grupo particular de neurônios forma conexões com o locus coeruleus – uma região do encéfalo envolvida na modulação da excitação e das emoções, além de ser responsável por nos fazer despertar à noite. Em vez de ter uma função reguladora no ritmo respiratório, como os neurônios descobertos no passado pela equipe, os pesquisadores concluíram que esse novo grupo de células responde à respiração e envia informações ao cérebro. Este, por sua vez, regula o humor em resposta.
Krasnow e sua equipe continuam a investigar o complexo pré-Bötzinger, a fim de descobrir se existem outros mecanismos que ele pode ativar. De acordo com os cientistas, ainda é necessária uma investigação mais detalhada da ação desse grupo de neurônios no cérebro humano para comprovar seu papel na regulação dos estados de calma ou excitação.


Postado por Hadson Bastos

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