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Parceria com Portugal impulsiona pesquisa por novos fármacos

Proposta foi elaborada por pesquisadores da Unesp de Rio Preto e da Universidade de Lisboa
Uma proposta elaborada pela Unesp e pela Universidade de Lisboa foi uma das contempladas pela chamada SPRINT, cujo resultado foi divulgada pela Fapesp no final de Julho. O projeto envolve o estudo de novos fármacos a partir de moléculas conjugadas de peptídeos e quitosanas e contará com o conhecimento dos parceiros portugueses em técnicas de microscopia para impulsionar a pesquisa.
Coordenadora do projeto pelo lado da Unesp, a pesquisadora Marcia Perez dos Santos Cabrera lembra que existe uma demanda global pelo desenvolvimento de novos fármacos provocada, por exemplo, pelo crescimento da resistência bacteriana. “Embora exista uma grande necessidade de novos antibióticos e novas moléculas com ação antibacteriana, há mais de uma década não há compostos verdadeiramente novos no mercado. Os peptídeos surgem como uma alternativa para esta demanda, mas existem algumas barreiras”, explica.
Entre as barreiras, a pesquisadora do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) aponta o fato de os peptídeos serem degradados por enzimas liberadas pelo organismo. Além disso, possíveis efeitos colaterais e o custo de sua síntese também surgem como obstáculos. “Normalmente, as drogas que conhecemos, como os antibióticos, são moléculas pequenas. Peptídeos são considerados moléculas grandes, portanto têm a síntese mais complexa”, aponta.
A pesquisa de Marcia visa justamente superar algumas dessas barreiras para o desenvolvimento de novas drogas. Em 2013, a pesquisadora foi contemplada pelo programa de apoio a Jovens Pesquisadores, da Fapesp, com um projeto que visa sintetizar e caracterizar novas moléculas conjugadas de peptídeos e quitosanas com propriedades antimicrobianas e tumoricidas. Nesse processo, conta com a parceria do professor Mario Sergio Palma, do Instituto de Biociências da Unesp Rio Claro, que colabora na síntese de peptídeos.
Os peptídeos são pequenas sequências de oito a 18 aminoácidos, análogos de compostos extraídos de secreções de insetos. Esses peptídeos são quimicamente ligados a quitosanas modificadas que por sua vez, são polímeros naturais de glicosamina.
O projeto proposto na chamada SPRINT foi elaborado em parceria com Miguel Botas Castanho, professor da Universidade de Lisboa. A ideia é que a estrutura do laboratório do docente português colabore para a caracterização dessas novas moléculas usando principalmente a microscopia de força atômica em células.
“Um dos objetivos da chamada SPRINT é incrementar a qualidade dos resultados do seu projeto vigente. A microscopia de força atômica é uma técnica relativamente nova e não existem muitos equipamentos deste tipo no Brasil”, aponta a pesquisadora do Ibilce. A parceria com Lisboa também envolve a Dra. Diana Gaspar, uma especialista em microscopia de força atômica em células de câncer e em bactérias.
Postado por David Araripe
Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/2-parceria-com-portugal-impulsiona-pesquisa-por-novos-farmacos/

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