Pular para o conteúdo principal

Uso de técnica inovadora que edita DNA pode aumentar risco de câncer, dizem estudos

Técnica CRISPR-Cas9 seleciona células com maior possibilidade de crescimento sem controle, alertam pesquisas publicadas na 'Nature Medicine'.

Técnica CRISPR-Cas9 seleciona células com maior possibilidade de crescimento sem controle, alertam pesquisas publicadas na 'Nature Medicine'.

A inovadora técnica de edição genética, a CRISPR-Cas9, pode aumentar o risco de câncer, alertam dois estudos publicados nesta segunda-feira (11) na "Nature Medicine". Segundo os cientistas, a edição teria uma tendência de selecionar células sem uma proteína importante para barrar mecanismos cancerígenos.

O alerta é particularmente importante porque a técnica que permite cortes precisos no DNA para, no futuro, corrigir genes defeituosos, tem sido responsável por uma série de façanhas na ciência.

Em artigo também publicado na "Nature", cientistas anunciaram a cura de doença cardíaca hereditária; ainda, um outro estudo publicado na "Cell Reports" conseguiu impedir a reproduçao do HIV em animais.

Pesquisa do Instituto Karolinska, na Suécia, e da Universidade de Helsinque (Finlândia), entretanto, exortam que a técnica seja vista com cautela: ela pode ativar processos que aumentam a incidência do câncer.

Os dois estudos demonstram a técnica mexe com a função de uma proteína conhecida como p53. O problema é que, na ausência da p53, células também crescem desordenadamente: processo que aumenta a incidência do câncer.

Testes prévios descreveram que células sem essa proteína apresentam melhores resultados quando o DNA é cortado -- então, cientistas acabam selecionando, sem saber, estruturas sem a proteína.

"Ao escolher células mais hábeis para a edição, nós podemos inadivertidamente escolher aqueles sem a p53", diz Emma Haapaniem, pesquisadora do Instituto Karolinska e autora do estudo."

"Essas células podem aumentar o risco de câncer. Isso levanta questões para a segurança de terapias com base na CRISPR."

Crispr-Cas9 abriu novos caminhos na ciência
Em novembro do ano passado, um grupo de pesquisadores chineses foi pioneiro a injetar numa pessoa células que contêm genes editados usando a técnica Crispr-Cas9. Na ocasião, a oncologista Lu You, da Universidade de Sichuan, utilizou a tecnologia para tratar um paciente com agressivo câncer de pulmão.

Desde que foi aprimorada para uso prático, em 2012, a tecnologia Crispr-Cas9 - já foi usada para alterar o genoma de embriões humanos, criar cães extramuculosos, porcos que não contraem viroses, amendoins antialérgicos e trigo resistente a pragas.


Postado por Cláudio H. Dahne (Ciências Biológicas - UFC)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Transferring skills beyond the lab

Launching a nonresearch career doesn’t mean leaving behind everything you learned as a scientist. The skills you developed as you dove into your projects and communicated your results are valuable in many jobs. If you’re not convinced, read on for some specific examples of how Ph.D.-holders put their skills to use outside the lab. Learning new fields Kenneth Gibbs Jr. , Program director in the Division of Training, Workforce Development, and Diversity at the National Institute of General Medical Sciences Learning new fields is a skill I developed in graduate school that I continue to use now as I manage research grants in scientific areas that are outside my previous expertise. When I was a graduate student, I was very interested in stem cells and the signals that regulate them. At the time I didn't have a background in the topic, so I had to read lots of literature—where I encountered unfamiliar terms—to orient myself to the field, and then I would identify knowledgea...

Plásticos: Para produzir ou dar sumiço, chame as bactérias

Bactéria que produz plástico Pesquisadores da USP encontraram uma bactéria capaz de produzir um  biopolímero  - um polímero, ou plástico, produzido por um processo biotecnológico. Rotas biotecnológicas podem fabricar bioplásticos - e depois sumir com eles, degradando-os completamente.  A  Methylobacterium rhodesianum , que transforma o metano em um tipo de polímero ainda não caracterizado, foi identificada nas águas turvas e poluídas do Sistema Estuarino de Santos, no litoral de São Paulo. A equipe também encontrou a  Methylobacterium extorquens , que já se sabia ser produtora de PHB, ou polihidroxibutirato, um polímero da família dos polihidroxialcanoatos (PHA) com características físicas e mecânicas semelhantes às de resinas sintéticas como o polipropileno. "Ainda não caracterizamos o polímero produzido pela bactéria, mas nossas análises indicam que é bem diferente dos relatados na literatura científica," disse Elen Aquino Perpétuo, coordenadora d...

Mais uma doutora formada no BioMol-Lab

Dia 27 de Outubro de 2017 formou-se mais uma Doutora no BioMol-Lab. A aluna Antônia Simoni de Oliveira, orientada pela professora Kyria Santiago do Nascimento e co-orientada pelo professor Benildo Sousa Cavada, defendeu sua tese intitulada: "Produção e caracterização físico-química e biológica da cadeia alfa da lectina recombinante de Canavalia brasiliensis" A defesa aconteceu no auditório do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, 907, da UFC. Declarada a aprovação, o BioMol-Lab agora conta com 50 mestres e 52 doutores formados no laboratório. Parabéns à Simoni, aos orientadores Kyria Santiago do Nascimento, Benildo Sousa Cavada e à todos envolvidos!