Pular para o conteúdo principal

A espetacular história de um tratamento contra o câncer

No fim dos anos 2000, um grupo de trinta adultos e crianças com leucemia linfoide aguda buscaram a última esperança. Resistentes a todos os tratamentos conhecidos, essas pessoas se submeteram a um estudo clínico com uma estratégia inédita anticâncer. Se desse certo, estariam salvas, pelo menos por um tempo. Se desse errado, a sua morte não seria em vão, e as gerações seguintes seriam gratas pelo conhecimento que essa experiência proporcionou. A ideia era impressionante. Linfócitos dessas pessoas seriam retirados do sangue e infectados por um vírus completamente alterado pelos cientistas. Foi um dia um vírus de herpes. Agora é um fragmento desse vírus que contém um gene que localiza os linfócitos da leucemia. Acoplado a esse gene, dois fragmentos proteicos, fruto da genialidade de muitos cientistas, cuja função é fazer com que esses fragmentos-caçadores-de-células leucêmicas ficassem ainda mais poderosos A parte ruim do vírus, que causa infecção herpética, foi removida, calma !
Os linfócitos eram retirados do sangue do paciente. Infectados pelo vírus modificado, que se transformava em uma divisão ninja contra um tumor absolutamente fatal. Os linfócitos transformados pela mão humana chamaram-se CAR-T. Os resultados de sua ação, espetaculares. Vinte e seis dos trinta pacientes tiveram todas as células leucêmicas no sangue destruídas.
Nos próximos meses e anos o nosso trabalho será preparar laboratórios capazes de modificar o material genético de vírus e inserirem células de defesa do corpo para atacar câncer. Nosso sistema imunológico. Nossos irmãos mais antigos na evolução. Juntos. Que final incrível para uma história de tanto sofrimento como o câncer.


Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/406/
Postado por David Araripe

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mais uma doutora formada no BioMol-Lab

Dia 27 de Outubro de 2017 formou-se mais uma Doutora no BioMol-Lab. A aluna Antônia Simoni de Oliveira, orientada pela professora Kyria Santiago do Nascimento e co-orientada pelo professor Benildo Sousa Cavada, defendeu sua tese intitulada: "Produção e caracterização físico-química e biológica da cadeia alfa da lectina recombinante de Canavalia brasiliensis" A defesa aconteceu no auditório do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, 907, da UFC. Declarada a aprovação, o BioMol-Lab agora conta com 50 mestres e 52 doutores formados no laboratório. Parabéns à Simoni, aos orientadores Kyria Santiago do Nascimento, Benildo Sousa Cavada e à todos envolvidos!

Receita de grafeno para micro-ondas: Cozinhe por 1 segundo

Óxido de grafeno Um dos grandes entraves ao uso prático do grafeno é a dificuldade de produzi-lo: não é fácil fazer uma camada de apenas um átomo de espessura e mantê-la pura e firme para que suas incríveis propriedades sejam exploradas em sua totalidade. Quando ganharam o  Nobel por seus trabalhos com o grafeno , Andre Geim e Konstantin Novoselov contaram que isolaram o material usando uma fita adesiva para retirar pequenas camadas de um bloco de grafite. O problema é que não dá para fazer desse jeito em escala industrial, ou mesmo retirar o grafeno intacto da fita adesiva para conectá-lo a eletrodos, por exemplo. Atualmente, o modo mais fácil de fazer grandes quantidades de grafeno é esfoliar o grafite - o mesmo material dos lápis - em folhas de grafeno individuais usando produtos químicos. A desvantagem é que ocorrem reações secundárias com o oxigênio, formando óxido de grafeno, que é eletricamente não-condutor e estruturalmente mais fraco. A remoção do oxigênio do ...

Fármaco brasileiro aprovado nos Estados Unidos

  Em fotomicrografia, um macho de Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose CDC/G. Healy A agência que regula a produção de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, concedeu o status de orphan drug para o fármaco imunomodulador P-Mapa, desenvolvido pela rede de pesquisa Farmabrasilis, para uso no tratamento de esquistossomose.  A concessão desse status é uma forma de o governo norte-americano incentivar o desenvolvimento de medicamentos para doenças com mercado restrito, com uma prevalência de até 200 mil pessoas nos Estados Unidos, embora em outros países possa ser maior. Globalmente, a esquistossomose é uma das principais doenças negligenciadas, que atinge cerca de 200 milhões de pessoas no mundo e cerca de 7 milhões no Brasil.  Entre outros benefícios, o status de orphan drug confere facilidades para a realização de ensaios clínicos, após os quais, se bem-sucedidos, o fármaco poderá ser registrado e distribuído nos Estados Unidos, no Brasil e em outro...