Pular para o conteúdo principal

Sensor de diamante dirá se gravidade é quântica ou não

 

A gravidade é quântica?

Um grupo de físicos estava trabalhando em uma forma de descobrir se a gravidade é um fenômeno quântico ou não - se existe alguma coisa como um gráviton, uma "partícula" de gravidade, ou se a força da gravidade pode ser quantizada.

Acontece que eles atiraram no que ninguém até agora conseguiu ver - as tais partículas de gravidade -, mas acertaram no que já conseguimos ver: as ondas gravitacionais.

O resultado do trabalho é um projeto de um detector de ondas gravitacionais que promete substituir os observatórios quilométricos, como o LIGO e o VIRGO, por um aparelho que cabe em cima de uma mesa.

Além disso, este sensor será sensível a frequências mais baixas do que os detectores atuais e ainda será fácil apontá-lo para partes específicas do céu - os detectores atuais só "enxergam" um ponto fixo.

Na verdade, o sensor será tão sensível que será possível usá-lo para o objetivo inicial dos físicos: Saber se a gravidade é quântica ou não.


Sensor de gravidade

O coração do novo detector é a conhecida "vacância de nitrogênio", um defeito no diamante que já está sendo explorado como sensor para monitorar condições extremas e até mesmo com qubit de computador quântico.

No diamante, eventualmente um átomo de carbono é substituído por um átomo de nitrogênio. Esse nitrogênio introduz um espaço livre na banda de valência, que pode ser preenchido com um elétron extra. Quando esse elétron recebe energia, de um laser, por exemplo, ele pode absorver ou não a energia do fóton - se ele absorver, isso altera seu spin, um momento magnético que pode ser "para cima" ou "para baixo".

"Exatamente como o gato de Schrodinger, que está vivo e morto ao mesmo tempo, esse spin do elétron absorve e não absorve a energia do fóton, de modo que seu spin é para cima e para baixo. Este fenômeno é chamado de superposição quântica. Como o elétron é parte do diamante, o objeto inteiro - com uma massa de cerca de 10-17 quilogramas, o que é enorme para fenômenos quânticos, está em superposição quântica," explica o professor Anupam Mazumdar, da Universidade de Groningen, na Alemanha.

Mas o que isso tem a ver com as ondas de gravidade, que são essencialmente contrações do espaço-tempo?

Quem explica é o próprio professor Mazumdar: "Temos um diamante que tem spin para cima e para baixo ao mesmo tempo. Aplicando um campo magnético, é possível separar os dois estados quânticos. Quando esses estados quânticos são reunidos novamente, desligando o campo magnético, eles criarão um padrão de interferência. A natureza dessa interferência depende da distância que os dois estados quânticos separados viajaram. E isso pode ser usado para medir ondas de gravidade. Essas ondas são contrações do espaço, de modo que sua passagem afeta a distância entre os dois estados separados e, portanto, o padrão de interferência."


Desafios tecnológicos

Na verdade, quando construído e devidamente controlado, esse sensor atômico de diamante poderá fazer muito mais do que isso: Se essa superposição quântica, em escala mesoscópica, puder ser mantida por tempo suficiente, ela permitirá medir uma infinidade de coisas, incluindo ajudar os físicos a resolver seu problema original: descobrir se a gravidade é um fenômeno quântico ou não.

O conceito é que, como o entrelaçamento é um fenômeno quântico, se dois objetos que interagem apenas por meio da gravidade apresentarem entrelaçamento, isso provará que a gravidade é um fenômeno quântico.

Agora começa a parte difícil da empreitada, já que, para funcionar, esse sensor precisará estar o mais próximo possível do zero absoluto, para se livrar de qualquer interferência, e ainda estar dentro de um vácuo de 10-15 Pascal.

"A tecnologia para construir esses sistemas pode levar algumas décadas para ser desenvolvida," reconhece Mazumdar. "Já existe tecnologia para atingir alto vácuo ou baixa temperatura, mas precisamos da tecnologia para alcançar ambos ao mesmo tempo. Além disso, o campo magnético deve ser constante. Qualquer flutuação derrubaria a superposição quântica."


Bibliografia:

Artigo: Mesoscopic interference for metric and curvature & gravitational wave detection

Autores: Ryan J Marshman, Anupam Mazumdar, Gavin W Morley, Peter F Barker, Steven Hoekstra, Sougato Bose

Revista: New Journal of Physics

DOI: 10.1088/1367-2630/ab9f6c

Link: https://arxiv.org/abs/2007.15029

Artigo: Relative Acceleration Noise Mitigation for Entangling Masses via Quantum Gravity

Autores: M. Toro, T. W. van de Kamp, R. J. Marshman, M. S. Kim, A. Mazumdar, S. Bose

Revista: arXiv


FONTE: Site Inovação Tecnológica

Postado por Cláudio H. Dahne

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mais uma doutora formada no BioMol-Lab

Dia 27 de Outubro de 2017 formou-se mais uma Doutora no BioMol-Lab. A aluna Antônia Simoni de Oliveira, orientada pela professora Kyria Santiago do Nascimento e co-orientada pelo professor Benildo Sousa Cavada, defendeu sua tese intitulada: "Produção e caracterização físico-química e biológica da cadeia alfa da lectina recombinante de Canavalia brasiliensis" A defesa aconteceu no auditório do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, 907, da UFC. Declarada a aprovação, o BioMol-Lab agora conta com 50 mestres e 52 doutores formados no laboratório. Parabéns à Simoni, aos orientadores Kyria Santiago do Nascimento, Benildo Sousa Cavada e à todos envolvidos!

Receita de grafeno para micro-ondas: Cozinhe por 1 segundo

Óxido de grafeno Um dos grandes entraves ao uso prático do grafeno é a dificuldade de produzi-lo: não é fácil fazer uma camada de apenas um átomo de espessura e mantê-la pura e firme para que suas incríveis propriedades sejam exploradas em sua totalidade. Quando ganharam o  Nobel por seus trabalhos com o grafeno , Andre Geim e Konstantin Novoselov contaram que isolaram o material usando uma fita adesiva para retirar pequenas camadas de um bloco de grafite. O problema é que não dá para fazer desse jeito em escala industrial, ou mesmo retirar o grafeno intacto da fita adesiva para conectá-lo a eletrodos, por exemplo. Atualmente, o modo mais fácil de fazer grandes quantidades de grafeno é esfoliar o grafite - o mesmo material dos lápis - em folhas de grafeno individuais usando produtos químicos. A desvantagem é que ocorrem reações secundárias com o oxigênio, formando óxido de grafeno, que é eletricamente não-condutor e estruturalmente mais fraco. A remoção do oxigênio do ...

Nova forma de carbono é dura como pedra e elástica como borracha

Visualização do carbono vítreo ultraforte, duro e elástico. A estrutura ilustrada está sobreposta em uma imagem do material feita por microscópio eletrônico. [Imagem: Timothy Strobel] Muitos carbonos O carbono é um elemento químico cujas possibilidades de rearranjo parecem ser infinitas. Por exemplo, os diamantes transparentes e superduros, o grafite opaco e desmanchadiço, o espetacular grafeno , todos são compostos exclusivamente por carbono. E, claro, temos nós, os seres humanos, formados em uma estrutura de carbono. E tem também o diamano , o aerografite e, agora, uma nova forma que parece ser um misto de tudo isso. Meng Hu e seus colegas das universidades Yanshan (China) e Carnegie Mellon (EUA) criaram uma forma de carbono que é, ao mesmo tempo, dura como pedra e elástica como uma borracha - e ainda conduz eletricidade. Essas infinitas possibilidades do carbono parecem ser possíveis porque a configuração dos seus elétrons permite inúmeras combinações de autoligação, dando or...